Aleatório
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Vício

Vício

Que bom quando ele vem…

Aquele sentimentozinho vai nascendo, queimando o peito… deixando o rosto vermelho, acelerando o coração.

Vem assim, a partir de um fraco gatilho. Claro! Qualquer motivo é motivo. E não dá para perder a oportunidade de fazer com que ele tome conta.

Tem quem se vicie. Fica esperando pela oportunidade de poder sentir de novo. Fica só à espera, aguardando o momento exato para que algo transborde. Para, então, jogar para fora tudo o que está entalado no peito. Afinal, é um gosto amargo demais para parar na garganta.

Nem dá para notar a dependência.

Já se tornou uma espécie de obsessão, um modo de vida. De encarar o pouco como se tivesse grande potencial de virar tragédia. É assim que nasce a tragédia: de uma pequena faísca, de uma vontade de explodir. Não precisa de muito para a faísca gerar estragos enormes.

Quando se percebe (se é que se percebe), já virou um hábito. Faz parte da rotina: esperar pela faísca, desejar o desastre. É automático! Foi para o cognitivo.

E a rotina sempre dá brecha para o sentimento vir. Ah, sim… A vida sempre vai oferecer milhares de motivos para se embriagar desse vício. Ela nunca desaponta.

Vem a raiva! Venha raiva!!!

A raiva é viciante. Se passa muito tempo sem a sentir, a abstinência pode até sufocar. Só uma dose, por favor.

Acasos, incompatibilidades, falhas de comunicação, por favor, apareçam! Nada pode ser perfeito hoje. Tem de haver uma razão a qualquer momento para explodir.

Ahh… só uma raivinha hoje não vai fazer tão mal assim.

Foto: David Becker, Unsplash

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