O problema
é que toda a nossa interpretação só pode ser construída a partir da nossa forma de ver o mundo.
Tudo o que vemos, nada mais é que um espelho de nós mesmos.
Então sempre vamos julgar atitudes a partir da forma como estamos habituados a encarar fatos.
É por isso também que é tão fácil nos identificarmos com aqueles que nos são semelhantes.
Estamos sempre em busca do que nos é comum.
Tudo se baseia na forma como literal e metaforicamente enxergamos.
Afinal, só temos mesmo a nossa forma de ver o mundo e os outros.
(Isso é mais uma coisa que ninguém pode fazer por nós: ter o nosso ponto de vista.)
Portanto, toda a narrativa que criamos baseia-se na forma mais florida de nos proteger.
De ter uma explicação plausível e coerente para as coisas serem como são.
Ou as situações terem se desenrolado da forma como se desenrolaram.
Uma coisa que li esses dias é que “ninguém é louco”.
Naquele caso, falava sobre a forma como cada um encara as suas finanças e lida com o dinheiro.
Mas ninguém é louco em todas as outras áreas que merecem uma administração pessoal.
Ninguém é louco de agir deliberadamente mal.
É por isso que a sua forma de narrar os fatos vai ter sempre aqueles contornos suaves, pois (claro!) você sempre foi muito incompreendido.
Verdade ou não, não é este o caso.
Todo mundo vai ter uma resposta na ponta da língua se um dia for confrontado.
“Ah, mas é porque…”
Para algumas coisas, não há o que contornar, não há explicação.
Vai sempre haver o que passa de um lado e o que passa do outro.
Todo mundo vai ter sua razão.
Sua forma de contar o seu lado da história.
Ninguém é louco.
Nada é do nada.
Foto: Tim Mossholder, Unsplash