Eu sei, é chato, egocêntrico e ridículo ficar falando de mim e “olha as coisas legais que fiz”. Mas só vou deixar aqui para registro, para não perder o trabalho que deu.
Sei que quase ninguém vai ler mesmo. E quem gosta mesmo de mim, vai gostar de ler.
E eu, melhor que ninguém, para narrar o que aconteceu comigo. Eu estava lá sempre 🙂
Prézinho
Aos três anos de idade, eu ainda não tinha idade para ir à pré-escola. Eu chorava vendo as minhas irmãs mais velhas indo todos os dias e queria ir junto. As administradoras me aceitaram antes do tempo.
Minha mãe então colocou em mim o uniforme grande de uma das minhas irmãs e lá estava eu, feliz da vida, indo para o Prézinho (como chamávamos). Com isso, fiquei quatro anos nessa escola, um a mais do que era regra.
Exibida
Quando estava na 4ª série, participei da Olimpíada de Matemática da cidade. A minha equipe ficou em 3º lugar. Lembro que o prêmio foi um relógio 🙂
Durante a minha infância e adolescência fiz dança e teatro. Participei de alguns projetos da igreja.
Indo de ônibus para outra cidade sem os pais
Quando estava prestes a ir para o Ensino Médio, acompanhando novamente os passos da irmã do meio, fiz o chamado Vestibulinho. É uma espécie de Vestibular, mas para quem concorre a uma vaga para cursar o Ensino Médio em uma unidade do Centro Paula Souza.
(Um parênteses: O Centro Paula Souza é um órgão público, cuja qualidade do ensino acaba sendo considerada superior às escolas públicas comuns. É devido à sua relevância que é preciso passar por um exame para conseguir entrar nas escolas do grupo. Alunos de escolas públicas e particulares concorrem às vagas.)
Prestei o Vestibulinho e passei em 4º lugar. A escola fica em uma cidade próxima a minha, em Cachoeira Paulista. A viagem de ônibus dava cerca de 40 minutos.
Quando estava no 3º ano do Ensino Médio comecei a fazer estágio na Biblioteca da mesma escola. Não recebia remuneração. Mas a escola me dava os passes de ônibus, o que já era uma grande ajuda.
Quando terminei o Ensino Médio não prestei vestibular, pois não podia pagar por uma universidade particular e se eu fosse para uma pública em uma cidade muito longe de Lorena, não teria também condições de me manter.
Então prestei mais um Vestibulinho, na mesma escola em que estudei, mas dessa vez para o Curso Técnico em Administração.
Passei, mas não lembro a classificação. Não deve ter sido muito boa, se não eu lembraria, porque eu sou exibida 🙂
Como eu já havia feito um estágio anteriormente, falei com o diretor que eu iria começar o curso técnico e que queria continuar fazendo estágio lá. Eu sabia que para quem fazia curso técnico, o estágio era remunerado 🙂
Ele aceitou. Então, eu fazia o estágio à tarde e à noite ficava para o curso.
Quando já havia completado seis meses neste ritmo, prestei Vestibular para o Curso de Gestão Empresarial com ênfase em Marketing. Era o tema mais próximo do que eu me identificava e a faculdade ficava em Guaratinguetá, uma cidade também próxima, mas do lado oposto de Cachoeira Paulista.
Passei em 22º lugar.
Mas aí eu não queria deixar o curso técnico de lado. Ainda faltava um ano para terminar e eu tinha ali um estágio, cujo dinheiro me ajudava.
Então fiquei um ano neste novo ritmo: de manhã eu ia para o estágio em Cachoeira, à tarde ia para Guaratinguetá para a faculdade e à noite voltava para Cachoeira para o Curso Técnico.
Eu sei, olhando agora parece meio burrice. Mas com a mentalidade que eu tinha, foi o que eu achei que deveria ser. E eu não curtia muito essa ideia de desistir de algo.
Concursos de estágio
Quando terminei o curso técnico, os gestores do meu estágio me ofereceram para continuar no trabalho com um contrato diferente.
Eu mal tive tempo de aceitar.
Neste período, prestei dois exames diferentes. Um da Prefeitura de Lorena para fazer estágio, agora pela faculdade e outro da Fundap, a fundação que passou a gerir os estágios de órgãos públicos do estado de São Paulo.
O resultado do exame da Prefeitura saiu. Eu fiquei em primeiro lugar. Apresentei-me ao RH e estava pronta para escolher a secretaria onde eu ia estagiar.
Mas logo saiu o resultado da prova da Fundap. Eu passei também. Neste não havia classificação. O resultado era positivo ou negativo. O lugar para onde eu deveria estagiar era em Cruzeiro, uma cidade próxima, mas não tão próxima assim. Ela fica para além de Cachoeira Paulista. Mas a remuneração era maior. “Tô rycaaaaa” 🙂 A instituição? Justamente a FATEC (também do Centro Paula Souza).
Então fui lá eu, fazer estágio de manhã em Cruzeiro, ir à tarde para a Faculdade em Guaratinguetá e depois, casa.
Quando acabou o estágio, eu também já havia acabado a faculdade, se não me falha a memória.
Os gestores do estágio me propuseram para continuar trabalhando lá com um contrato diferente, para atuar na organização de um evento anual que eles promoviam.
Eu mal tive tempo de aceitar.
Trabalhando e mais ryyyca 🙂
Tinha enviado dois currículos, um para uma empresa de extintores de incêndio, através da indicação de um colega do estágio na Fatec Cruzeiro e outro para o Unisal (Centro Universitário Salesiano, em Lorena) sob indicação de professores da FATEC que também trabalhavam nessa outra instituição.
Fui selecionada para trabalhar na Fire Services, empresa de extintores de incêndio.
No entanto fiquei lá só um mês, pois logo na sequência, fui para a entrevista no Unisal e selecionada para a vaga.
Quando saí da Fire Services, o gerente me disse “Um pena você estar saindo. Você sabe que me substituiria quando eu saísse daqui”.
Comecei o trabalho no Unisal como assistente de coordenação de curso. Nessa altura eu já havia terminado a faculdade, mas não atuava necessariamente na minha área, que era o Marketing. Eu adorava o que fazia, mas sempre com aquela pontinha de esperança de poder trabalhar com Marketing.
No final de 2013, os diretores da unidade me chamam e me contam que querem criar um programa de Relacionamento com os Ex-Alunos e esse programa estaria ligado ao setor de Marketing. Perguntaram-me se eu aceitaria ser a responsável pela implementação e gestão do programa. Imediatamente eu disse que sim. Mas perguntei: “Por que eu?”
A resposta: “Nós vemos tudo. Nós vemos o seu trabalho.” Coisas desse tipo que eu não me lembro exatamente as palavras.
Marketing Digital
No ano seguinte fui morar com o Jober e vivíamos conversando sobre melhoria na vida, essas coisas. Planos…
Ele sempre me incentivava a buscar novas oportunidades. Fazer outras coisas que eu gostasse. Eu disse que tinha vontade de oferecer o trabalho de Marketing digital, redes sociais e trabalhar como freelancer nas horas vagas.
Um dia depois de uma pizza e algumas cervejas, ele me convenceu a oferecer o meu serviço.
Foi quando consegui o meu primeiro cliente e amigo, Marcelo de Elias.
Depois do Marcelo muitos vieram e foram.
O Jober passou a trabalhar comigo no Marketing Digital também. Ele fazia cards e era (ainda é) o fera nas métricas.
Ele também foi o responsável por termos nos aventurado na Irlanda.
Fora do Brasil
Já conversávamos sobre morar fora, mas sem comprometimento real. Foi quando um dia, ele chegou e disse: “Adriana, olha bem para mim. Você quer sair do Brasil?”. Eu disse “sim”. Ele falou: “É sério. Você quer realmente sair do Brasil?”. Eu dei uma engolida na saliva, respirei fundo e respondi com um “sim” mais forte.
Ele disse: “Então a partir de hoje nós vamos fazer tudo o que for preciso para isso.”
Essa conversa foi muito decisiva. Porque hoje, essa mudança me parece algo muito razoável, mas em 2016 eu sentia um pavor só de pensar na ideia.
Mas na Irlanda… Estudávamos Inglês de segunda a sexta e trabalhávamos, ele em um pub e em um restaurante, eu em um restante, em um escritório (limpando) e em eventos (eu fingia que sabia servir vinho com uma mão só).
Paralelamente a isso, eu continuava atendendo clientes no Marketing Digital no Brasil.
Voltamos para o Brasil e ficamos lá por um ano. Neste período, conseguimos mais clientes no Marketing Digital e poderíamos ter continuado nesse caminho se não fossem as minhas “bichas” de voltar para a Europa.
Estudamos as possibilidades e optamos por ir para Portugal. Abrimos uma empresa no país, estando ainda no Brasil. Cuidamos dos papeis para o visto e em dezembro de 2018 estávamos nós em Portugal sem saber se virávamos para a esquerda ou para a direita.
De lá para cá muita coisa aconteceu. A empresa em Portugal ganhou novas atividades e agora está aposentada. Eu trabalho na Record TV Europa, ele com investimentos no Brasil. Continuo atendendo clientes de forma esporádica. Mantemos a nossa agência no Brasil chamada O Clube do Palestrante. E no pós turno estamos trabalhando em novas coisas. Estudando, explorando, investindo, errando.
Assim, o meu caminho vai dando muitas voltas.
Eu vou sempre tento empurrõezinhos de alguém que vê para além de mim.
E eu conto com a sorte. 🍀
(Texto escrito em 2023. Eu não me lembrava que tinha escrito tudo isso. Acho que foi num dia de saco cheio que eu queria me provar. A partir de algo que alguém falou de mim. Acho.)
Foto: Kind and Curious via Unsplash






